Há alguns dias, quando estava voltando da escola encontrei dona Maria. Maria é uma moradora do meu prédio que adora falar dos outros moradores com outras “donas” que sentam nos bancos do pátio para fofocar enquanto seus cachorrinhos defecam no gramado. Por mais que eu não vá muito com sua cara, quando passei por ela disse:
-Oi. –Falei com uma voz querida e simpática. Esperei por alguns segundos sua resposta, mas o silencio prevaleceu; então passei por ela com uma cara de tacho. Não sei vocês, mas essas situações me emputessem de mais.
As vezes passo por uma pessoa e ela responde os meus “bons dias” ou meus “ois” e outras vezes não – não da para entender. É como se eu estivesse com uma faca em minha própria garganta quando cumprimento pessoas, nunca sei se meus “bom dias” serão respondidos ou não: depende muito do humor daquele que é abordado. E se é ruim não ser respondido quando se dá “oi”, é ainda pior não responder um “oi” alheio. Me lembro de uma vez que estava passando por dona Maria quando voltava da casa de amigos – ela disse:
-Olá... – com uma voz amável e alegre. Passei por ela sem dizer uma palavra. Quando me lembrei de dar “oi” para a velha, já era tarde de mais – perdi o tempo; já estava muito longe da mulher, não adiantava mais. Fui alvo de fofocas e bisbilhoteios por algumas semanas no condomínio, fora o fato de Maria passar a não gostar de mim e nunca mais me cumprimentar quando passo por ela.
As vezes me decido em nunca mais dar “oi” para pessoas que mal conheço; as vezes mudo de idea e lhes dou “oi”. Pessoas mudam de humor como milionários mudam de carro, como cobras mudam de pele – ou ate mesmo como políticos mudam de partido. Fica difícil saber se devo ou não parar de vez de responder ou desejar “bom dia” a outrem.
essa é uma questão essencial a ser abordada XD
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